Tem se falado muito a respeito da tapioca e do cuscuz, qual é a melhor opção para substituir o famoso pãozinho francês. E a nossa nutricionista, Nathália Mancini, preparou um artigo onde explica tudo sobre essas duas delícias das gastronomia brasileira.
Por Nathália Mancini
Uns dias atrás, li uma reportagem em uma revista popular que falava sobre a tapioca, o cuscuz de milho e o embate na briga entre eles para ver qual seria o mais saudável e de melhor escolha para as refeições.
Como sempre, achei melhor pegar os pontos positivos da matéria e reparar o que foi dito, e não possui embasamento científico.
O tema é muito interessante, já que a moda atualmente é não consumir mais pães ou alimentos que contenham sequer traços de glúten (não vem ao caso falarmos sobre essa conduta agora) e substituí-lo por tapioca ou cuscuz de milho.
Mas qual seria o mais indicado? Qual seria o mais saudável entre eles?
Já sabemos que ambos possuem altos índices glicêmicos, ou seja, rápida velocidade para aumentar a glicemia e, consequentemente, a concentração de insulina no sangue por serem feitos a partir do processamento da fécula de mandioca e do milho, respectivamente. E todo processamento ou refinamento aumentam o índice glicêmico do alimento. Porém, a carga glicêmica (quantidade de carboidratos) do cuscuz de milho é inferior ao da tapioca, o que reduz a capacidade de alterar de forma abrupta a concentração de insulina sanguínea.
Quanto aos nutrientes:
• Tapioca: A cada 100g da tapioca, mais de 60g são oriundos de carboidratos; menos de 0,5g advém das proteínas e gorduras, contém apenas traços de fibras.
• Cuscuz de milho: A cada 100g da tapioca, cerca de 25g são oriundos de carboidratos; aproximadamente 2g são formadas por proteínas, e menos de 1g advém das gorduras, contém cerca de 2g de fibras.
Em relação à quantidade de cálcio, a tapioca possui 15 vezes mais este micronutriente que o cuscuz de milho. Falando de fósforo, o cuscuz sai na frente com uma concentração 3 vezes maior deste mineral do que a quantidade presente na tapioca. O cuscuz de milho também possui leves concentrações de vitamina B6 e zinco, não encontrados na tapioca. Por outro lado, a última possui leves concentrações de retinol (vitamina A), não encontrada no cuscuz de milho.
Vale lembrar que tanto a tapioca como o cuscuz de milho não são consideradas fontes de qualquer um destes micronutrientes citados (vitaminas e minerais). Suas quantidades são consideradas baixas para tal.
Para concluir este tópico, vemos que a tapioca é um alimento mais energético que o cuscuz de milho. Sendo excelente opção para indivíduos que praticam atividades físicas intensas, indivíduos que precisam de alimentos com maiores valores calóricos e outras possibilidades.
Então, quem foi que disse que tapioca deveria ser consumida por pessoas que desejam apenas perder peso? Este conceito permeia, inclusive, o pensamento de profissionais da saúde.
Quanto à presença de glúten:
Por não conterem glúten na composição, ambos são vistos como um bons substitutos para os pães.
Mas para quem desejar fazer controle glicêmico e continuar consumindo-os, como proceder?
De forma geral, ambos podem ser incrementados com di versos temperos e ingredientes a fim de reduzir o índice glicêmico da preparação e dar mais sabor à refeição. Por isto, lance mão de sementes, ervas aromáticas para tempero, recheios que contenham proteínas e gorduras saudáveis. Todos estes ajudam na redução do índice glicêmico da preparação.
Conclusão:
Cada caso é um caso e todo alimento é bom ou ruim. O que varia é quem, quando, quanto e como vai ser consumido.
Para saber de forma mais específica como utilizar em seu dia a dia, consulte sempre um profissional nutricionista. E lembre-se que é dele a capacidade e dever de orientar qualquer indivíduo sobre alimentação.

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